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28May

As raias gigantes de Fernando de Noronha

Projeto Mantas do Brasil chega a Fernando de NoronhaAtividades de pesquisa do Projeto Mantas do Brasil chegam a Fernando de Noronha e revelam as diferenças da população de raias gigantes do local

As raias gigantes parecem ter escolhido Fernando de Noronha como seu novo lar.

Antes esporádicos, os encontros de mergulhadores com raias gigantes na ilha tornaram-se mais frequentes nos últimos dois anos. 

Não quer dizer que as mantas não estivessem historicamente frequentando ou mesmo residindo nas proximidades da ilha de Fernando de Noronha. Apenas significa que, por alguma razão, uma pequena alteração em seus locais de frequência ou de passagem pode ter causado a coincidência entre as localidades utilizadas pelas mantas e aquelas frequentadas por mergulhadores, possibilitando um crescente número de encontros entre os dois grupos.

Mais do que desejados pelos mergulhadores, os encontros com as raias gigantes propiciam momentos inesquecíveis e são buscados por mergulhadores no mundo inteiro e cada vez têm se mostrado mais frequentes em Fernando de Noronha.   

Raia Manta encontrada no litoral de Pernambuco.As observações da equipe do Projeto Mantas do Brasil acerca de raias gigantes do litoral pernambucano tiveram início no ano de 2010, quando o jornal Diário de Pernambuco exibiu matéria noticiando um pescador mostrando a cabeça de uma raia manta pescada nos arredores da cidade do Recife. Imediatamente perceberam que suas características eram diferentes das características dos animais observados no litoral paulista.

A cabeça da raia gigante pescada em Recife tinha cara e boca brancas, como se vê na foto ao lado.

Ao contrário, os animais observados no Sudeste do Brasil, desde Santa Catarina até São Paulo, possuem cara preta, como uma máscara.

As raias mantas observadas no Sudeste apresentam cara e boca negras, como uma máscara. A modelo é Heloísa Marum. A foto é de autoria de Maurício Andrade.

As raias mantas observadas no Sudeste apresentam cara e boca negras, como uma máscara. A modelo é Heloísa Marum. A foto é de autoria de Maurício Andrade.

As raias mantas do Sul e Sudeste possuem padrão de coloração como a da foto ao lado, incluindo cara e boca negras, como uma máscara. A foto é do biólogo e fotógrafo profissional Leo Francini.

As raias mantas do Sul e Sudeste possuem padrão de coloração como a da foto ao lado, incluindo cara e boca negras, como uma máscara. A foto é do biólogo e fotógrafo profissional Leo Francini.

Apesar de raros, os registros da região Nordeste passaram a ser coletados e observados.

 

Até que, nos anos de 2016 e 2017, os mesmos animais foram registrados tantas vezes em diferentes pontos de mergulho ao redor da Ilha de Fernando de Noronha, que é possível afirmar que estão residindo, ou, ao menos, passando longo período no local.

 

O pesquisador e instrutor de mergulho Jayson Huss vive na ilha e uniu-se à força tarefa do Projeto Mantas do Brasil para coordenar os trabalhos na localidade, o que tem resultado em grande número de registros e de observações.

 

As raias mantas que têm sido observadas em Fernando de Noronha são jovens e de coloração quase que inteiramente branca em seu ventre, incluindo a cara e a boca brancas.

As raias mantas de Fernando de Noronha apresentam padrão de coloração muito diverso daquelas do Sudeste brasileiro. Têm o ventre quase que inteiramente branco, incluindo cara e boca brancas. A foto é de David Luiz, colaborador do Projeto Mantas do Brasil e fotógrafo profissional da Ciliaris em Fernando de Noronha.

As raias mantas de Fernando de Noronha apresentam padrão de coloração muito diverso daquelas do Sudeste brasileiro. Têm o ventre quase que inteiramente branco, incluindo cara e boca brancas. A foto é de David Luiz, colaborador do Projeto Mantas do Brasil e fotógrafo profissional da Ciliaris em Fernando de Noronha.

 

O fato de serem animais jovens não significa que alterarão seu padrão de coloração ao longo da vida. Uma das características das raias gigantes é o fato de nascerem, crescerem e morrerem não apenas com o mesmo padrão de coloração, mas também com as mesmas manchas e pintas ventrais. As manchas ventrais das raias mantas são singulares como as impressões digitais em seres humanos. É esse o fator que permite a fotoidentificação dos indivíduos e o acompanhamento de sua vida a cada novo encontro documentado por imagens.

 

As profundas diferenças observadas, não apenas no padrão de coloração das populações incidentes no Sudeste e no Nordeste, mas também em termos de habitat e comportamento desses animais, a formulação de uma série de teorias, entre elas a de que se tratam de populações que não reproduzem entre si há tanto tempo que podem até mesmo ter resultado em populações geneticamente diferentes. As características muito diversas dos habitats e dos alimentos disponíveis em cada localidade, consideradas as baixas temperaturas da água no Sul e Sudeste e as águas quentes no litoral Pernambucano, podem também ter influência em sua coloração e padrões de comportamento. Esses são os novos rumos de pesquisa do Projeto Mantas do Brasil, que tem patrocínio da Companhia Docas do Estado de São Paulo, Codesp, Administradora do Porto de Santos.

http://www.portodesantos.com.br/

 

Curso de Fotoidentificação

 

Desde 2010, o Projeto Mantas do Brasil tem desenvolvido ações de educação ambiental e de pesquisa marinha sob o Programa Cidadão Cientista, utilizando o interesse dos mergulhadores pelos encontros com as raias gigantes em prol dos registros científicos.

 

“É possível ajudar nas pesquisas marinhas sem correr riscos e sem comprometer a diversão do mergulho”, comenta o instrutor de mergulho e da especialidade Mantaray Awareness, Ricardo Coelho, coordenador de tecnologia do Projeto Mantas do Brasil.

 

As informações concisas sobre como efetuar registros do ventre das raias gigantes, que sejam aproveitáveis pela pesquisa científica, estão disponíveis através de uma videoaula que pode ser assistida ao cadastrar-se no site do Projeto, acessível pelo link http://www.mantasdobrasil.org.br/index.php/cidadao-cientista/como-participar. Depois de assistir à videoaula que possui 12 minutos de duração, o candidato a Cidadão Cientista efetua um teste, também online, e recebe o Certificado após obter 70% de aproveitamento.

 

O conteúdo mais completo é um curso ministrado presencialmente, inteiramente gratuito e pode ser organizado pela escola ou dive center de preferência do mergulhador. Basta que a escola interessada organize uma turma em dia e horário previamente combinados para receber o curso, inclusive em Fernando de Noronha.

 

A equipe do Projeto Mantas do Brasil manda seu abraço a todos os leitores do Blog da Trip Noronha e deseja que mergulhem muito, de modo consciente, responsável e que tenham muitos encontros com as raias gigantes.   

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